O Projeto Bichos do Pantanal propõe contribuir para o desenvolvimento local, por meio de ações de capacitação e também constituição de parcerias que possam colaborar para a instauração de atividades de geração de emprego e renda para a população de Cáceres.

É importante formar multiplicadores de educação ambiental, visando o alcance de sustentabilidade local, assim como a apropriação do projeto pela comunidade em longo prazo. Subsidiar formulação de políticas públicas voltadas para a conservação da biodiversidade do Pantanal, também é foco do projeto, que pretende criar uma “rede de cooperação”, aliando governos, setor acadêmico, organizações e associações locais com a proposta da preservação do Pantanal.

Potencial

São somente cinco os países classificados no mundo como países de megabiodiversidade, ou seja, com os maiores números de espécies endêmicas e maior número de formas de vida. Nessa categoria, o Brasil ocupa o primeiro lugar mundial. Em seguida vem Indonésia, Colômbia, Austrália e México. O que comprova a riqueza natural brasileira e o potencial que ela representa para alavancar o país para um novo patamar de desenvolvimento sustentável, o que pode promover a redução da pobreza e a preservação do meio ambiente, como recomendam os “Objetivos do Milênio”, lançados pelo então secretário da ONU, Kofi Annan, durante a World Summit de Joanesburgo, em 2002.

Durante a Conferência, ele convocou a participação efetiva do setor privado, que ele declarou como “provedores de soluções” por entender que somente através da parceria entre empresas, governos e terceiro setor, o mundo conseguirá cumprir as metas propostas para 2015.

O Bichos do Pantanal propõe estabelecer uma Rede de Cooperação de referência, através da constituição de um espaço ampliado de participação socioambiental, para o qual confluam ações e iniciativas propostas pelos parceiros, gestores e comunidades envolvidas.

As atividades de ecoturismo estão aumentando no Pantanal devido a sua beleza cênica e relativa facilidade em avistar grandes espécies de vertebrados. O ecoturismo pode ser usado como possível aliado da conservação, porém o grande aumento desta atividade, de forma descontrolada e sem regulamentação, pode causar sérias consequências, fazendo-se necessária orientação adequada para este tipo de atividade.

A definição de ecoturismo, adotada pelas mais importantes instituições e autoridades mundiais, é o turismo baseado na natureza, que atua trazendo benefícios para a comunidade local e a preservação do meio ambiente. Hoje, no mundo, uma em cada dez pessoas trabalha vinculada ao turismo. Os maiores índices de crescimento do setor são representados pelo ecoturismo, especialmente em relação à observação de espécies de vida silvestre.

Uma nova categoria de turistas que viajam para observar fauna vem crescendo significativamente, como comprovado pela pesquisa do NSRE – National Survey on Recreation and the Environment (2007), demonstrando que 82 milhões de americanos viajaram, só naquele ano, em busca dos melhores destinos para esta prática.O aumento dessa demanda também gerou, segundo a pesquisa do Wildlife Conservation (2001), a criação de 850 mil novos postos de trabalho, estimulando formalmente uma tendência irreversível de geração de valor em sintonia com a preservação ambiental e o bem estar social. Infelizmente, o percentual de observadores da fauna que chega ao Brasil é muito baixo, em função da nossa falta de preparo adequado para essa prática.

Está provado também, que o turismo de natureza cresce significativamente quando se conta com guias de campo que identificam essas espécies e incentivam a inclusão destes novos destinos nos roteiros turísticos. O segmento do turismo sustentável de observação de vida silvestre, que o projeto estimulará, tem potencial para deixar mais recursos nessas comunidades e ajudar a promover o desenvolvimento local com preservação do meio ambiente.