O Pantanal brasileiro é uma área de alta diversidade biológica, revestindo-se de grande importância para a Conservação. Além de ser declarado Patrimônio Nacional, desde 1988, pela Constituição Federal e também Reserva da Biosfera Mundial e Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO. O Pantanal possui fauna exuberante, com 656 espécies de aves catalogadas, 325 de peixes, 98 de répteis, 212 espécies de mamíferos e anfíbios registradas. Portanto, é indiscutível a importância da conservação da biodiversidade da região.

A área de atuação do projeto é o Pantanal de Cáceres, na bacia do Alto Pantanal no rio Paraguai, a 234 quilômetros da capital Cuiabá, no Mato Grosso. A região foco do projeto compreende o curso do rio Paraguai, suas margens, campos alagados e comunidades ribeirinhas em toda área que engloba a comunidade de Porto Conceição até o sul da Estação Ecológica de Taiamã.

O Pantanal é uma das maiores extensões de áreas alagadas do mundo, e situa-se na planície da Bacia do Alto Paraguai. Esta Bacia ocupa uma área total de quase 600.000 km, dos quais 363.000 km2 localizadas em território brasileiro, 110.000 km2 no Paraguai e 121 km2 na Bolívia. O Pantanal se estende por uma área de 138.183 km2 (Embrapa).

Toda essa proteção e importância ecológica estão interligadas com os ciclos das águas. A pulsão de cheias regida pelas chuvas cria um delicado equilíbrio do qual dependem inúmeras espécies de aves, peixes e mamíferos. Durante a estação das águas, o Pantanal torna-se um berçário principalmente as aves e os peixes. Inúmeras espécies de aves migram do Hemisfério Norte e outras regiões para realizar sua reprodução em gigantescos ninhais construídos nas copas das árvores, nas lagoas pantaneiras.

As cheias do Pantanal também são fundamentais para a manutenção dos estoques pesqueiros. Quando os rios do Pantanal sobem e ocupam as várzeas formam-se os corixos. Os peixes migram até esses lagos e rios temporários para finalizarem a desova, no processo conhecido como Piracema, entre os meses de novembro a abril. Os lagos temporários formados quando os rios invadem os campos também são importantes berçários para a ictiofauna.

Para a fauna o período mais importante é a seca. Muitos animais aproveitam que as águas estão mais baixas e os campos maiores para a reprodução. As onças-pintadas são exemplos de animais que usam a praias dos rios pantaneiros para se reproduzirem.

O Pantanal de Cáceres apresenta como limites, ao norte, uma linha imaginária que cruza a própria cidade de Cáceres; ao sul, as lagoas Uberaba e Gaiba e a zona do Caracará, no limite com o pantanal de Poconé, na junção dos rios Cuiabá e Paraguai; a leste, o rio Paraguai; e a oeste, as florestas da fronteira boliviana. (EMBRAPA)

É uma das oito sub-regiões do complexo que forma o Pantanal, localizada na porção Norte, conhecida como Alto Pantanal. Uma área que se estende entre a Chapada dos Parecis até Porto Jofre, na divisa com o Mato Grosso do Sul. Essa região faz fronteira com a Bolívia a oeste. As áreas alagadas seguem até Vila Bela da Santíssima Trindade, antiga capital da província mato-grossense, no século XVII.

Essa região do Pantanal de Cáceres está em um ponto de transição com o início da Bacia Amazônica que começa a partir do município de Pontes de Lacerda com cursos de água que correm para o rio Guaporé, um dos formadores do rio Madeira.

Essa proximidade entre duas importantes bacias hidrográficas (Amazônica e do Prata) é uma das características que tornam a região do Pantanal de Cáceres um ponto único para a conservação ambiental.

Cáceres- Mato Grosso

A cidade sede do projeto é conhecida como a “Princesinha do Pantanal”, está situada no Mato Grosso e divide com Corumbá, no Mato Grosso do Sul, a posição de principal polo da região. Com 87,912 mil habitantes, foi fundada, em 1778, por determinação do capitão-general da capitania de Mato Grosso, Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres.

Localizada na microrregião do Alto Pantanal, Cáceres faz fronteira com a Bolívia e nasceu para ser um ponto de ligação com a antiga capital do Estado, Vila Bela da Santíssima Trindade (1752-1820) e a região Sudeste, via a navegação do rio Paraguai. A cidade era o divisor de terras entre Portugal e Espanha pelo Tratado de Madri, que estabeleceu o Marco do Jaurú, desde 1883, assentado na frente da Igreja Matriz.

Conhecida no passado como Vila-Maria do Paraguai, a Cáceres cresceu a partir da indústria extrativista, com a pecuária, os ciclos da Borracha e extração da Ipecacuanha (poaia), o Ouro negro da floresta.

Hoje a economia local é baseada na pecuária e a cidade possui um dos maiores rebanhos bovinos do Brasil. O turismo de pesca e de observação de animais são atividades crescentes da região que possui um dos maiores festivais de pescas do mundo, segundo o Guiness Book.