Revista Forbes faz matéria sobre o Programa Petrobras Socioambiental, com ênfase na atuação do Projeto Bichos do Pantanal e na importância desse investimento para o meio ambiente no Brasil, com projetos selecionados através de Edital Público.

(Leia a matéria traduzida abaixo ou acesse direto do site da Forbes, o original em inglês: Maybe Petrobras Isn’t So Horrible After All).

AFINAL, TALVEZ A PETROBRAS NÃO SEJA TÃO TERRÍVEL ASSIM.
Kenneth Rapoza – Forbes Magazine

Como eles podem ser contados? Há literalmente milhares deles. Os maiores nas árvores; os carnívoros mais distantes acima das árvores; os pequeninos pousados na areia; uma pequena andorinha na cabeça de uma feia capivara, cuja cabeça mais parece a cabeça de um rato gigante.

O americano expatriado Douglas Trent, 58, chama seu fiel assistente, Marcos Vinicius Elias, que tem um terço de sua idade. Elias é um residente local da cidade de Cáceres no estado do Mato Grosso que, antes do Pantanal –Projeto Bichos do Pantanal criado por Trent, ganhava a vida descascando alho. Elias está aprendendo a contar e monitorar as populações silvestres. “Eu contei 200”, diz ele sobre um pássaro que vive nas margens das águas que – para olhos sem treinamento – parece estranhamente com um pinguim.

“Eu contei 258! Como você pode ter contado um número tão menor? “, Diz Trent, meio repreensivo, meio irônico. Elias vem até à segunda plataforma do barco do Programa para ter mais uma lição sobre a importância da contagem dos animais. Importante, pelo menos para Trent. Afinal das contas, trata-se do uso de dinheiro do governo brasileiro e este é um governo que está sintonizado no módulo austeridade. O barco, a gasolina, a sete horas navegando para cima e para baixo no rio Paraguai em uma voadeira de alumínio, tudo sendo financiado pela gigantesca e assediada companhia de petróleo Petrobrás. Com qual objetivo? descobrir exatamente quem vive no Pantanal e quantos deles estão lá.

Há onças e araras azuis … os preferidos de todos. Mas há também mais de 450 espécies de aves e mamíferos raros como ariranhas e antas enormes. O que acontecerá quando um porto fluvial e uma estrada de ferro financiada pela China chegarem efetivamente à cidade? Indaga Francis Maris, o prefeito da cidade sobre ambos os projetos, que ainda estão no papel.

“Pode-se dizer que este ou aquele projeto desenvolvimentista vai destruir uma determinada espécie ou seu habitat”, diz Trent, que tem estado dentro e fora do Brasil desde 1981. “Muito do que se fala é político. Torna-se científico quando você pode documentar, por um período de tempo longo, quantos animais estão aqui e quando eles estão aqui, ai então vamos saber que se você desenvolve, ou se você desmata, e vemos menos onças, ou menos araras, temos como estabelecer uma comparação. Nós não temos isso aqui no Pantanal, ou mesmo na Amazônia “, diz ele, vasculhando as planilhas que mostram que animal vive onde, onde foi encontrado no Pantanal e quantos deles foram encontrados em um período de dois anos. É um número grande de dados. Há gráficos de barras que mostram padrões de migração. Se você for perfurar ou escavar aqui no futuro, ninguém poderá dizer que não sabia o que vivia aqui.

O projeto de dois anos termina em dezembro. É o primeiro projeto “verde” da Petrobras na região.

“O que nós vamos investir em projetos ambientais nos próximos anos ainda está sendo estudado”, diz José Aparecido Barbosa. Barbosa é um dos principais executivos responsáveis por gastos em projetos sociais da Petrobras, que veio a bordo apenas neste mês após as contínuas trocas de gestores intermediários por causa do escândalo de corrupção deste ano.

Petrobras: A Máquina Verde do Brasil
Mesmo afetando a imagem pública do Brasil, a Petrobras tem seus pontos positivos. Seu desempenho ambiental é muito bom. Petrobras vem financiando a proteção e conservação das baleias Jubarte no nordeste do Brasil por décadas. A companhia de petróleo financiou estudos populacionais e esforços de conservação, que ajudaram a aumentar a população de baleias Jubarte do Atlântico no Brasil de cerca de 2.000 espécies há 15 anos, para pelo menos, 9.000 em 2008, de acordo com a agência ambiental do governo, ICMBio.

Petrobras é também o principal financiador do bem-sucedido Projeto Tamar, um refúgio para as tartarugas marítimas que virou importante atração turística no estado nordestino da Bahia.

O Projeto Bichos do Pantanal criado por Trent é o mais novo programa conduzido pela empresa de petróleo, uma iniciativa de grande escala pela vida selvagem. O financiamento faz parte dos programas de responsabilidade corporativa da Petrobras.

Mas devido a uma economia mais fraca, a queda dos preços do petróleo, e o escândalo difícil de ser ignorado, os investimentos ambientais da Petrobras têm diminuído desde 2010. Naquela época, a empresa gastou R$258 milhões
($73.7) em projetos ambientais. Houve uma queda para R$101 milhões em 2012 e R$ 104 milhões em 2013, o ano em que o programa criado por Trent foi lançado.

“Os projetos que nós estamos financiando estão ajudando a preservar 250 espécies de animais e milhares de tipos de plantas e árvores no Brasil. Nós estamos retirando algumas espécies da lista de espécies ameaçadas de extinção”, diz Barbosa, embora a lista do Brasil seja diferente das listas globais editadas pela ONU. O peixe-boi da Amazônia estava na lista de ameaçados e agora está sendo considerado apenas como vulnerável pelo ICMBio.

Pode o Petróleo Salvar o planeta?
Com exceção da mineração e talvez das grandes empresas de produtos químicos, nenhuma indústria é mais vulnerável a críticas relativas ao meio ambiente do que as empresas de petróleo.

Qualquer uma das grandes empresas de petróleo pode jogar alguns milhões de dólares em projetos ambientais e declarar seu amor pelo planeta. Mas o que é ainda mais importante do que isto é evitar derramamentos de petróleo e desenvolver tecnologias que possam reduzir a queima de combustíveis fósseis originados do petróleo.

Em 2013, a Petrobras havia relatado 187 metros quadrados de derramamento, ou o equivalente a 1.176 barris de petróleo, de acordo com o seu Relatório de Sustentabilidade de 2013. Chevron CVX + 5,19% relatou 2.135 no mesmo ano (caindo para 838 em 2014).

As emissões de CO2 da Petrobras, em 2013, foram de 69,4 milhões de toneladas menos do que a Shell com 76 milhões de toneladas, mas não inferior à Exxon com 19,7 milhões.

Barbosa diz que apoiar projetos como o Projeto Bichos do Pantanal reforça seus objetivos de serem bons administradores do mundo natural do Brasil. Subentendendo-se que, é também uma das únicas maneiras que a empresa tem para poder salvar a sua imagem do pesadelo das relações públicas que agora enfrenta.

“Nós estamos tentando”, diz Barbosa. O Projeto Bichos do Pantanal foi escolhido em uma lista de 700 projetos participantes em todo o país.

A imagem de badboy da Petrobras a colocou fora do Índice de Sustentabilidade da Dow Jones em março de 2015. Ela era membro desde 2006 devido ao apoio financeiro cedido aos programas ambientais de grande escala no Brasil. Ser uma empresa sustentável, ambientalmente consciente tem suas vantagens.

De acordo com o CDP, S&P 500 líderes da indústria em questões relacionadas às mudanças climáticas e em média 67% a mais de dividendos do patrimônio e 50% mais estabilidade de resultados do que seus pares que não são tão transparentes sobre seus cuidados com o meio ambiente. Considerando-se que os mercados ainda têm de estimar a gestão ambiental descortina uma oportunidade para investidores de longo prazo que integram o banco de dados do CDP (Carbon disclosure Project – Crédito de Carbono) em sua avaliação das empresas. Considerando-se o fracasso das reguladoras do governo para aprovar legislação vinculadas à mudança climática nos EUA até a presente data, as grandes empresas petrolíferas operam em um vácuo regulatório. O fato de que qualquer empresa possa escolher divulgar voluntariamente suas emissões de carbono como a Chevron, por exemplo, e gastar dinheiro em conservação, como a Petrobras, é digno de nota. Na América Latina, a Petrobras é a Green Machine.

De volta ao barco de pesquisas de Trent, ele me mostra um rastreador GPS. Ao longo de um período de nove dias começando no dia 01 de agosto, nós cobrimos 1.137 quilômetros (706 milhas) para cima e para baixo no rio Paraguai, na fronteira com a Bolívia. Lá, ele documentou centenas de aves, lontras, jacarés e duas onças pintadas: um adulto e seu filhote escondido na sombra de uma árvore às margens de um rio preguiçoso na Reserva Ecológica do Taiamã.

Ele olha em volta do pantanal. O sol se põe sobre uma floresta marcada pelas queimadas. Um pássaro Jaburu com quatro pés de altura (+/- 1,20m) marca o seu ninho.

“Eu vejo que à medida que se tem mais desmatamento na Amazônia ao norte de onde estamos, temos mais queimadas lá e aqui também”, diz ele, seu capitão acelera o seu barco desviando-se de um pedaço flutuante de madeira.
Há cinco horas de distância daqui ao norte, perto de São José do Rio Claro, a Petrobras está prospectando hidrocarbonetos. Com a exceção de alguns acampamentos e reservas indígenas, esta não é uma área que é totalmente fora dos limites para o desenvolvimento.

“Há uma boa e assustadora chance de que já tenhamos retirado tanto da Amazônia que ela já não é mais autossustentável. Estamos aprendendo como isto influencia o Pantanal e a vida silvestre daqui “, diz ele. Então, como se lembrando de que o homem também faz parte da vida selvagem, ele traz à tona a maior cidade da América Latina, algumas duas horas e meia de distância de avião. “Os problemas daqui significam mudanças nos padrões climáticos lá embaixo”, ele aponta atrás dele, falando alto acima do barulho do motor de popa, “lá em São Paulo. O assoreamento está tampando o Pantanal. Este cobre as plantas que os peixes pequenos comem, que são comidos pelos peixes maiores, que alimentam as lontras. E os pássaros. É um ecossistema interligado. Será que a onça vai viver aqui daqui a 50 anos? Eu acho que essa é a única área em que podemos dizer ‘talvez’ já agora. “