Estrada Transpantanal


Foto Estrada Cortada

O Pantanal é um dos destinos turísticos mais admirados do Brasil, mas você sabia que o turismo de pesca lá é feito apenas durante alguns meses do ano?

A falta de alternativas econômicas com baixo impacto ambiental em Cáceres é uma ameaça ao Pantanal. Hoje, a região tem como base de sua economia apenas atividades que impulsionam o desmatamento nas regiões de cabeceiras do Alto Pantanal, como a agropecuária, que já ameaça 14% deste ecossistema. Precisamos dar um fim a esta triste situação, trazendo uma nova e ecológica alternativa.

O turismo de natureza foi identificado e escolhido pela própria população de Cáceres/MT como o primeiro catalizador para impulsionar o desenvolvimento local. A cidade, também conhecida como a Princesinha do Pantanal, está localizada às margens do rio Paraguai, no Alto Pantanal, e conta com inúmeros pontos turísticos potenciais inexplorados.

A nova Estrada Transpantanal – Cáceres/MT é um verdadeiro paraíso escondido. Com potencial para tornar-se uma segunda Transpantaneira, visitada por turistas de todo o mundo que buscam contato com a fauna e flora do Pantanal, a nova rota fica próxima da fronteira entre o Brasil e a Bolívia, no Mato Grosso.

Em apenas alguns minutos circulando por esta estrada é possível ver lobinhos, tamanduás e cervos em meio a uma exuberante vegetação de cerrado alto. “A primeira vez que viajei por esta Estrada, eu me lembrei imediatamente do Pantanal, nos anos de 1980, quando eu visitei a região pela primeira vez. A diversidade de pássaros e o número de animais que podemos encontrar rodando poucos quilômetros são incríveis”, afirma Douglas Trent, pesquisador-chefe do Projeto Bichos do Pantanal, que é coordenado pelo Instituto Sustentar de Responsabilidade Socioambiental e patrocinado pela Petrobras, através do Programa Petrobras Socioambiental.

Poucos brasileiros sabem que, em uma porção do país (quase) desconhecida pelos turistas, na fronteira do Brasil com a Bolívia, dois importantes biomas realizam um inusitado encontro. Em Cáceres, no Mato Grosso, é possível ver o resultado do abraço da Floresta Amazônia com o Pantanal. Essa paisagem única é capaz de surpreender inclusive cientistas experientes.

Foram as panteras do Pantanal de Cáceres que chamaram a atenção do ecólogo Douglas Trent para a cidade. O local é reconhecido como um dos melhores pontos do mundo para a visualização de onças-pintadas. Atuando na região desde 2005, com turismo de observação de vida silvestre e birdwatching, Trent tem mais de trinta mil fotos e filmagens inéditas, como cenas de acasalamento de onças-pintadas, revoadas de aves, famílias de ariranhas, entre outros animais. Suas constantes viagens para a região lá reforçaram a certeza de que Cáceres é um dos locais mais bonitos e intrigantes do país. Desde 2006 ele transformou seus registros de onças-pintadas em uma pesquisa de ecologia e contagem populacional.

A biodiversidade e o comportamento incomum dos animais, a região é um dos únicos pontos do Brasil com registros oficiais de ataques fatais de onça-pintada contra seres humanos, fizeram com que o ecólogo tomasse uma importante decisão: criar um projeto para unir a ideia de preservação daquele Pantanal com formas sustentáveis de desenvolvimento.“Na ecologia sabemos que está tudo interligado, inclusive o ser humano. Não tem como protegermos, a longo prazo, uma porção da natureza se não ajudarmos os habitantes a conquistarem dignidade em sua sobrevivência”, diz Trent.

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Um ponto positivo é que o município de Cáceres tem a segunda economia da região Oeste do Mato Grosso. Porém, o índice Firjan da região – que analisa dados sociais de forma mais refinada que o IDH – é alarmante. Com base nesse índice, questões como a geração de emprego formal, a taxa de matrícula na educação e o óbito infantil acabam derrubando a boa performance econômica da cidade. “Para mudar esse cenário, o ideal seria que surgissem atividades com um poder maior de distribuição de renda e que pudessem usar dos recursos naturais da região, sem degradar a natureza”, afirma Jussara Utsch, coordenadora do Projeto Bichos do Pantanal. Foi por todas essas questões que a Rede de Cooperação Bichos do Pantanal escolheu o turismo como uma alternativa econômica para a região.

Por questões ambientais, a pesca no Pantanal é proibida por quase quatro meses do ano, o que faz com que pousadas, barcos-hotéis, guias turísticos e toda a cadeia da atividade percam visitantes, e renda, durante quase metade do ano. “Acabamos dispensando grande parte dos funcionários fixos dos barcos nesse período. O ideal seria integramos o turismo de pesca a uma atividade com o turismo para a observação da vida silvestre, para garantirmos a manutenção dos empregos na região durante todo o ano”, explica Cleres Tubino Silva, presidente da Associação de Piloteiros de Turismo (Aspatur), que congrega os donos dos barcos-hotéis da cidade.

Aproveitar a visitação que já existe no Pantanal de Cáceres para o turismo de pesca, que não ocorre durante todo o ano e direcioná-la para outros atrativos, fixando o turista na região por mais tempo, seria o ideal para aumentar a geração de renda na região e aumentar os níveis de preservação e conservação da biodiversidade pantaneira.

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Por que apoiar o turismo de natureza?

O segmento de turismo de natureza é um dos que mais cresce no mundo, principalmente nos países que investiram nesse caminho como a Austrália e a Nova Zelândia. Segundo a Organização Mundial do Turismo a expansão do turismo de natureza está entre 15% e 25% ao ano e supera o de negócios e o de sol e praia.

O Pantanal, com seus 250 mil quilômetros quadrados de extensão, é um dos territórios do Brasil com alguns dos ecossistemas mais ricos em biodiversidade do mundo e um grande potencial turístico. A região também é um dos maiores reservatórios de água (ainda) pura do Planeta, com cerca de 250 mil quilômetros quadrados – uma área equivalente ao Estado do Piauí. O bioma abriga espécies já extintas em outras regiões do país, como o tuiuiú e a onça-pintada.

Vivem no Pantanal cerca de 500 espécies de aves, 269 de peixes, 212 mamíferos e 4.700 espécies de plantas diferentes – quase a metade de toda a biodiversidade vegetal do Continente Europeu. Apesar do imenso potencial da região, o turismo de natureza (ainda) é um grande desafio.

Essa é uma das dez áreas que integram o Complexo do Pantanal, localizada dentro da região do Alto Pantanal, onde estão as cabeceiras dos rios que formam esse ecossistema. O Pantanal de Cáceres é uma das regiões mais singulares do Pantanal, pois está próximo de um ponto

de transição com a Bacia Amazônica. Essa proximidade entre duas importantes bacias hidrográficas (Amazônica e do Prata) é uma das características que tornam a região do Pantanal de Cáceres rica em biodiversidade e um ponto único para a observação de fauna e a conservação ambiental.

O desafio dessa região pantaneira é similar ao de muitas áreas naturais do Brasil: implementar o turismo de natureza para gerar desenvolvimento sócio econômico e evitar que o turismo torne-se uma atividade com impactos ambientais. Para aproveitarmos as potencialidades não exploradas do Pantanal de Cáceres, e fazer o turismo crescer de forma ordenada e inclusiva, há muito o quê fazer. Hoje, não há infraestrutura suficiente, poucos guias e operadores de turismo falam inglês, os guias especializados em reconhecimento de fauna, com identificação das espécies pelo nome científico, também são raros.

Apesar do cenário aparentemente negativo, cidades como Bonito, no Mato Grosso do Sul, e Mamirauá, no Amazonas, são provas concretas das vantagens e do crescimento sustentável que o turismo de natureza pode proporcionar. Seja para as cidades onde essa atividade se estabelece, seja para a população local.

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Para saber mais sobre a Estrada Transpantanal e como fazer turismo de natureza na região, entre em contato com nossos parceiros:
SEMATUR- Secret. Municipal de Meio Ambiente e Turismo – (65) 3222-3499
ASATEC- Assoc. Ambientalista, Turística e Empresarial de Cáceres – (65) 9989-1897
COMTUR- Conselho Municipal de Turismo de Cáceres – (65) 3223-2007